| escala | maior - música sem teatro |
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[Maio 2011]
Não lugar, afinal, de uma subordinação funcional de outras artes ao texto, corpo e voz, é o Teatro lugar de plena copresença. É por isso não só possível, mas revelação do outro teatro do teatro, escutar, por si, a presença subtil de música composta com ele. Tal pode até mesmo revelar o seu lugar, não ilustrativo ou de pontuação, mas de sintaxe. Essa a possibilidade proposta, e arriscada, por este concerto: ouvir música feita com teatro, sem ele. Sobreposta aquela dramaturgia de cada uma das suites de peças apresentadas, terá o concerto uma narrativa outra, também outra de nós: o regresso à tonalidade maior. Subida ou descida - sentido sempre duplo, que é dado semanticamente pelo termo ‘escala‘, o de um conjunto estruturante de relações entre notas musicais, mas também o de escada - esse regresso será também viagem até à infância, ao tempo, etimologicamente, da não-fala: do não-texto. Ouvir-se-ão suites ou sequências - espaços sonoros, narrativas, questionamentos, diálogos e silêncios próprios - criadas para peças que a Utopia Teatro levou à cena nos 15 anos de existência, que este concerto também comemora. Suites onde se apresentará não só o que naquelas peças se ouviu, mas o que então composto, acabou por nelas não ter lugar. Outras peças ainda terão nessa noite a sua primeira audição. Piano apenas. A ele se acrescentará, em algumas suites e peças, um importante violoncelo. Também um actor convidado, que reapresentará o recitativo de “Henrique IV, o Rei Louco, DRESS-UP”, (a partir) de Pirandello, já levado à cena. Se a música é invisível, se é a u-topia o não-lugar, o não-lugar de ver é lugar de ouvir. Ainda: pode ser da música dar-se com texto, corpo e voz, a ver; pode ser do teatro dar-se, sem texto, a ouvir. Ficha Técnica e Artística Composição e Piano: Bruno Béu Violoncelo: Nelson Ferreira Actor Convidado: Paulo Campos dos Reis |
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