Água Moura Criar PDF Versão para impressão Enviar por e-mail
[Junho 2010 - Julho 2010]

Press-Release
Foto (JPEG, 4096x6144 px, 72 dpi)

Só no reduzido espaço da Vila Velha e em seu redor existem quase uma vintena de fontes, fontanários, bicas e nascentes: uma multiplicidade de aproveitamentos da água verdadeiramente ímpar. Compreende-se assim a importância histórica e lendária da ligação de Sintra às águas.

Infelizmente, em muitas destas fontes, há muito que a água desapareceu. De seguida, são os vestígios materiais destas fontes que desaparecem e, por fim, a própria memória delas se esvai.

A construção deste trabalho, Água Moura, pretende resgatar essa memória, buscar os vestígios, invocar as águas e, com elas, todo o património Sintrense. Não só a História é chamada aqui: "relendo" e "reinventando" lendas a partir de factos históricos, relacionando os espaços públicos das fontes com a Sintra lendária e sobrenatural de que a abundância e qualidade das águas é um dos atributos, recuperamos um dos seus eixos simbólicos.

Às fontes ancestrais deve Sintra o seu microclima único e a sua vegetação variada e esplendorosa. Desta inspiração decorreram depois as inúmeras manifestações físicas – palácios, palacetes, jardins imaginados e caminhos iniciáticos – e imateriais – poemas, romances, canções e filmes – dos sonhos inspirados de tantos homens, constituindo a sua Paisagem Cultural, tão justamente reconhecida como Património da Humanidade. Possam os próprios Sintrenses nunca esquecer este legado e proteger as suas fontes como exemplo maior dessa mesma Humanidade.

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Água Moura é um espectáculo de teatro de rua itinerante, que convida os espectadores a acompanhar cinco actores e actrizes e dois músicos à descoberta de seis das mais emblemáticas fontes do Centro Histórico da Vila Património da Humanidade e suas “novas estórias de mouras encantadas para jograis e trovadores”.

Recriámos seis "lendas" que jogam com certos factos históricos ou pitorescos que todos reconhecem como património lendário da Vila de Sintra e juntámos mais de uma dúzia de personagens dos séc. XII ao XVI para animar as noites da Vila num percurso nocturno, de fonte em fonte, de estória em estória, recriando o ambiente mourisco das mil e uma noites que anima ainda o espírito de Sintra.

Água Moura é uma viagem ao património cultural vivo de Sintra, povoado de saloios e frades de pança, almoxarifes e ciganas, judias e beatas, senhores feudais e vendedeiras de fruta: uma mão-cheia de coloridas personagens interpretadas por cinco actores e actrizes, acompanhados por dois músicos que executam, ao vivo, cantigas medievais, renascentistas e outras.

Fotos de cena:
(Fotografia: Cláudia Faria)


Mais fotos de cena aqui!


Ficha Técnica e Artística
  • Texto e encenação: Nuno Vicente
  • Guarda-Roupa e Adereços: Câmara dos Oficios
  • Música: Andreia Lopes e Paulo Croft
  • Interpretação: Ana Bernardino, André Sobral, Carla Trindade, Paula Coelho e Rui Braz
  • Equipa de Apoio: Fábio Mourato e Nuno Teixeira
  • Fotografia: Francisco Gomes
  • Produção: Rui Braz
  • Apoio: Câmara Municipal de Sintra, Palácio Nacional de Sintra | IMC
  • Media Partners: Jornal de Sintra, Jornal da Região, Cidade Viva, Actual Sintra, Correio da Cidade, Correio de Sintra

Espectáculo integrado na programação do 45º Festival de Sintra


Percurso:


Consulte o mapa do percurso
O percurso sugerido em Água Moura é o seguinte:
  1. Encontro e início do espectáculo junto à Fonte do Palácio da Vila, no Largo Rainha D. Amélia.
  2. Descendo as Escadinhas do antigo Hospital chegamos à Fonte Maneirista da Rua do Rio do Porto.
  3. Atravessando o antigo picadeiro e subindo à Volta do Duche encontramos a Fonte Mourisca.
  4. Seguindo pela Volta do Duche, descansamos junto à Fonte das Ratas, em frente ao Museu do Brinquedo e à entrada do antigo bairro judeu.
  5. Subindo a Rua das Padarias vamos beber água à Fonte da Pipa.
  6. Finalmente, descemos a Rua Maria Eugénia Reis Ferreira Navarro e chegamos à Alameda Almeida Garrett, onde encontramos a Fonte dos Pisões.

Esta viagem tem a duração aproximada de duas horas e o percurso é facilmente vencido pelos espectadores, qualquer que seja a sua condição física (nota: parte do percurso é inacessível a cidadãos portadores de deficiência física).
Ainda assim, a repetição do espectáculo em diversos dias permite que mesmo aqueles mais “preguiçosos” possam assistir à totalidade das representações.


As Fontes:


1. Fonte do Palácio da Vila
Não poderíamos homenagear as águas de Sintra sem referir a maravilha que encontramos ao cimo das escadarias do Palácio Nacional de Sintra. Assim como não poderíamos imaginar a Vila Velha sem o Palácio, morada de reis durante séculos. É seguro afirmar que tanto foi mudando a vila ao longo dos tempos como o Palácio se foi sempre modificando com sucessivos acrescentos.
Constitui o Palácio incontornável símbolo da importância das águas de Sintra: essa construção régia, confirma, inequivocamente, que os monarcas não só dominavam Sintra como também o seu bem mais precioso, a água. E todos os que visitam o Palácio se apercebem da importância da circulação da água na sua organização, pormenor em que nos lembra os seus mais remotos ocupantes, à data da mais antiga construção que ali se presume ter existido: os mouros.
A Fonte da escadaria do Palácio é “protagonista” de uma das mais divertidas histórias que bem revela o espírito dos saloios – palavra que origina do árabe “çahroi”, ou trabalhador do campo –, a história da esperteza saloia.

2. Fonte Maneirista (Rua do Rio do Porto)
À Fonte do Rio do Porto está associada um das mais belas gravuras de Sintra do séc. XIX. Nela se mostra uma realidade muito diferente da actual. A fonte corria ao lado da ribeira e nela as mulheres de Sintra se abasteciam de água e, logo ao lado, lavavam a sua roupa.
Quanto ao "exagerado" nome “Rio do Porto”, o mais provável é que o nome advenha do facto de que, para cruzar a linha de água, se atravessaria não uma ponte mas sim uma poldra, isto é, pedras colocadas no leito da ribeira para possibilitar a travessia. Daí “porto” como ponto de passagem entre margens, mais do que porto de rio para embarcações, como o nome poderia sugerir.
Hoje, do fontanário não corre água, o lavadouro foi abandonado e a linha de água encanada.

3. Fonte Mourisca
É, talvez, a mais emblemática Fonte de Sintra, em árdua disputa pelo lugar cimeiro do pódio com a Fonte da Sabuga, esta muito mais antiga. Tem uma história atribulada: é fruto do "revivalismo" das raízes mouriscas no início do séc. XX, obra projectado pelo escultor José da Fonseca. Originalmente estava situada sensivelmente no espaço onde está hoje a Fonte das Ratas, frente à antiga Câmara Municipal e onde é hoje o Museu do Brinquedo. Em 1960, com o alargamento da rua, deslocou-se a Fonte para a sua localização actual.

4. Fonte das Ratas
Não existe nem muita nem boa informação sobre esta fonte, envolta que está em equívocos vários que derivam da incerteza quanto à localização de um famoso poço, conhecido por Poço do Romão, que aqui próximo terá existido e sobre o qual encontramos remotas referências na Idade Média.
O que existe, actualmente, é relativamente recente e sem grande aparato (e por vezes até mesmo sem água potável), mas era aqui próximo que estava instalada a Fonte Mourisca (edificada em 1930).

5. Fonte da Pipa
Existem registos da existência desta Fonte desde o séc. XIV. Contudo, a sua forma actual deve-se a D. Maria I, ostentando a sua frontaria a data de 1787. É das mais belas de Sintra e das melhores conservadas, situada em pitoresco recanto, bem no coração da Vila Velha. O seu nome deve-o das duas bicas em forma de pipas, e esta associação entre água e vinho despoleta variadas interpretações.

6. Fonte dos Pisões
Situada a caminho da Quinta da Regaleira, esta Fonte deve o seu nome ao Palácio Renascentista dos Pisões, em frente do qual se situa. A nascente que alimentava a Fonte era a mesma que atravessava a Quinta dos Pisões e que com a sua força movimentava os pisões aqui existentes, engenhos que aproveitam os recursos hídricos, à semelhança das azenhas, mas cujo objectivo é o pisoteio de peles e têxteis.
A actual Fonte data de 1931 e é obra de Mestre José da Fonseca, o mesmo da Fonte Mourisca. A comparação entre as duas obras resulta interessante: o mesmo Mestre e separadas as obras por apenas um ano de intervalo, mas tão diferentes as duas Fontes nas suas características.
 
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