| Henrique IV, o Rei Louco, DRESS-UP |
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Acerca de "Henrique IV" “A ilusão tem força activa. Vai forçando a formação de uma realidade de contornos fluidos, possíveis de serem continuamente borradas.” Pirandello “A figura deste trágico imperador condenado à aparência que no começo é louco e parece louco, depois parece sem sê-lo e não é mais ninguém, pois os anos devoraram o que ele poderia ter sido, condensa dentro de si uma série de teorias caras a Pirandello que conservam um grande actualidade.” Aurora Fornoni Bernardini
Pirandello lança aos actores o mesmo desafio que lança às personagens com as suas palavras, simultaneamente precisas e ambíguas. Aos actores só resta, tendo a dúvida como lupa, agir como detectives em busca da “verdade” dissimulada.” Nuno Vicente “Uma personagem, senhor, pode sempre perguntar a um homem quem é. Porque uma personagem tem verdadeiramente uma vida sua, marcada por características suas. Por isso ela sempre será alguém. Enquanto que um homem – não aludo ao senhor, agora – um homem, assim, em geral, pode não ser ninguém.” Pirandello in “Seis personagens em busca de um autor” "O contraste absoluto das indumentárias escolhidas e trocadas ao longo do espectáculo, à vista do espectador, esbate as fronteiras convencionadas do tempo e espaço teatrais; o bom e o mau gosto mesclam-se no artifício do engenho. Enfim: baralha-se, em folhetim carnavalesco, o esboçar da tragédia que está no coração do enredo. Toda essa vertigem e desorientação é sempre “pintada” em alegre vertigem, evidenciando uma exagerada descontracção para com qualquer sinal de fatalidade. Por mais que os palavras pareçam empolar toda uma pompa de retórica metafísica, todas as personagens devem morder a língua e atraiçoar o próprio sentido do seu discurso com expressões faciais, sequências de gestos e comportamentos dos mais banais aos mais desconexos, associados a um compulsivo DRESS UP, de postiço em postiço, onde cada traje substitui a multiplicidade de máscaras e espelhos quebrados do teatro de Pirandello." Nuno Vicente “E não é mais um jogo, mas uma realidade maravilhosa em que vivemos, alienados de tudo, até os excessos a demência. Pois bem senhores: desatem os laços de vossos calçados e deponham o seu bordão. Chegaram à sua meta.” Pirandello "“Henrique IV” de Pirandello vai além de todo o jogo dramático que desenvolvi, com a Utopia Teatro, ao longo destes treze anos. Sempre trabalhei nas fronteiras, linhas ténues, enigmas transparentes, entre ser humano e ser actor; entre actor e personagem; entre a convenção social/teatral e o tirar o tapete debaixo dos pés; entre a liberdade criativa e toda a iconografia dos clichés. E é como se todo o trabalho e experimentação culminassem agora com “Henrique IV”. Como se fossem necessários treze anos para poder enfrentar de frente a vertigem de precipício de “Henrique IV”. É uma ratoeira qualquer peça de Pirandello. Obriga também os actores a voltar atrás, a relembrar toda a sua formação teatral, a reavaliar todas as linhas da sua “escola”; obriga a quebrar pressupostos já cristalizados para empreender uma viagem ao espaço mítico da criança, às raízes do jogo dramático, o jogo do faz-de-conta. E, obviamente, como adulto, ao incorporar o “faz-de-conta” no seu jogo actual, está em confronto consigo mesmo e com os outros nessa linha invisível que separa a loucura individual da sua aceitação social." Nuno Vicente |
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